
Hoje cada vez mais o chão da alma me foge por entre os dedos…
Trocam-se os sentidos, arrancam-se as palavras…profundas e cúmplices da entrega impulsiva de segredos num sopro de ti
Olho a distância do que nunca ficou sem mim…sem fim
Um caminho que não se sente sozinho…uma folha que não seca sem ser Outono no caminho
Cobre-me a face o tempo que vem no sabor do escuro…tantas vezes o que resta de um nada inseguro…
Trocamos a verdade mais silenciosa no avesso da promessa… fica mais fácil entregar a alma numa lágrima que se apressa á espera do que vem de peito aberto ainda atrasado
Mesmo sem conseguir num pensamento exprimir tudo aquilo que penso, mudar tudo aquilo que sinto, sentir tudo aquilo que muda…continuo a ser parte da outra margem, com o mesmo som de olhar, sem o mesmo começo mudo que me fazia acreditar mil vezes num só segundo
Muito mais que aquilo que se esconde entre o silencio e a voz, muito mais que a ponte entre o “eu” e o “sou”…uma gota que se agarra ao vento que soprou, agora, como eu, ainda o sente, como tu já o sentiste…como já sentimos nós
É urgente perceber…pintar de céu a cor azul, deixares de ser meu para seres apenas tu
Reage tão fragilmente o talvez que desgarrou o que não se desprendia, longe da guerra feroz que nos domina…
É tão duro aprender que na vida nada se comete a pensar que não se esquece
Marcas que nem o tempo cheio de pedaços de estrada apagava noutro caminho que viesse…
Estendo o tanto do que muda por não estarmos sós, tão perto…tão duro sem sermos um nós …procurando dar o mundo onde guardo tudo aquilo que eu quis salvar, arriscando sem saber se o poderei demonstrar
Os meus dedos exaustos apoiam-se em mim, o chão que foge pára por hoje à beira de ti
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